domingo, 26 de fevereiro de 2012

O mês pequeno na Quinta.

Com todos os trabalhos que são necessários realizar numa quinta o mês de Fevereiro foi um ''inferno'' de actividades. Este mês nem tempo tive para fazer o simples registo de actividades, no entanto espero compensar os caros leitores com um breve resumo.


03-02
O mês começou com a reforma do equipamento do viveiro de plantas. 

Equipamento obsoleto
Equipamento adquirido para o viveiro





O composto de germinação tive de comprar por falta de tempo, enfim só tenho pena de não encontrar este produto português, no entanto é fundamental usar este composto na germinação, pois quando é necessário transplantar a planta o mesmo não se desfaz.


04-02 a 10-02
De seguida foram os trabalhos de fumeiro e salga...importa referir que os trabalhos no fumeiro estão concluídos.


Depois veio o processo de colocação do lombo do porco em conserva, ou seja, primeiro o encalamento e depois o depósito da carne em azeite e num pote de barro.

Enquanto isto, a rega não parou devido à seca e foi então tempo para reforçar o imobilizado da Quinta.

Depósitos de 1000 litros 

Bomba para regas.

07-02 a 12-02
Ainda no início do mês realizou-se a lavoura para a sementeira da batata e a correcção de solos com incorporação de adubos orgânicos. Assim como a tarefa de partir a batata de semente.




A sementeira da batata foi o próximo passo. 


Houve ainda tempo para podar o Olival (o olival da Quinta e o Olival da partilha de trabalhos).


Na partilha registei ainda a dádiva de Malvas a amigos agricultores que conhecem os benefícios desta planta. 


Malva
Fiz ainda alguns achados curiosos na Quinta.
Fósseis encontrados nas lavouras

Pedra encontrada numa parede da Quinta



Foi ainda tempo para obras.





Huff, este era o meu estado a meio do mês.

O alho comum está um pouco atrasado no entanto (tendo em conta a seca) está com óptimo aspecto.


A Alface de Inverno está quase no final de cultura, este ano foi complicada esta cultura, durante todo o Inverno (até agora) tivemos sempre de efectuar rega controlada.



As Beterrabas também começaram a despontar  este mês.

18-02
A limpeza do Loureiro foi um trabalho difícil, para que o caro leitor possa fazer ideia, do local onde tirei esta foto não conseguia ver o Loureiro. 


O cebolo está também a progredir.

O Alho-francês é uma cultura que também ficou nos hábitos da Quinta.

Até os Morangueiros já começam a florir.


As Nêsperas começam a ganhar forma. 


Em busca da sustentabilidade o Sistema Solar que há cerca de dois anos instalei na Quinta é uma grande mais valia em termos de produção energética. Hoje dia nublado e com temperatura média (no  período solar) de 16 graus, ou seja, dia com pouco sol mas foi o suficiente para manter 300 litros de água acima dos 50 graus, compensando ainda a utilização normal do dia-a-dia.



Quando há futebol e ando Quinta em actividades esta é a minha Sportv.


Foi um mês pequeno mas deu para muito, deu até para continuar o meu projecto de preservação ambiental. Na Quinta existem muitos Ouriços e com esta seca eles começam a aparecer com fome..pois alguns não atingiram tamanho suficiente para hibernar grande parte do Inverno. Então este pequeno, veio comer umas febras de peru e voltou para o seu habitat natural de barriga cheia.




''Depois da matança acaba a bolota'' - O MONTADO


O maior Sobreiro da Quinta.


Todos os anos os porcos da quinta deliciam-se com as bolotas produzidas  pelo pequeno montado que existe na quinta, são poucos Sobreiros mas produzem uma quantidade significativa de Bolotas e são admirados por mim não só pela sua beleza no seu enquadramento paisagístico mas também pela árvore singular que é. O montado da Quinta é 100% sustentável e por isso também 100% orgânico.



A GENEROSIDADE DE UM PEQUENO SOBREIRO.

Agrometeorologia na Quinta

Depois da discussão literária voltamos então à aprendizagem agrícola. Na Quinta o clima é um factor determinante da boa ou má produção. As noções básicas que já tenho nesta altura já fizeram a Quinta evoluir de patamar e adoptar um novo estilo agrícola. Sempre que lançamos sementes à terra devemos ter em conta vários factores relacionados com o clima, aliás a maioria das tarefas agrícolas estão intrinsecamente ligadas ao clima. Assim a informação agro-metereológica é da maior importância para o planeamento das actividades agrícolas e para a tomada de decisões.


A sementeira da batata ocorreu a 11 de Fevereiro e foi um risco que decidi correr, pois já sabia que as previsões apontavam para um mês de Fevereiro muito seco, no entanto não podemos realizar todos os projectos só quando temos a certeza dos seus resultados e por vezes é necessário arriscar. No entanto abortei a cultura da aveia baseado nas previsões de seca e foi uma aposta ganha, pois se a semente tivesse ido para a terra teria perdido a cultura e a semente.


As reservas de água encontram-se a cerca de 20% e a alface de inverno só cerca de metade vai ser colhida para alimentação humana.


A cultura que tem resistido mais a esta seca tem sido o alho-comum.







segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Novo acordo ortográfico no blog, NÃO OBRIGADO.

Hoje fui confrontado com um e-mail a propor o uso do novo acordo ortográfico no blog. Um mensagem com um software gratuito que se propunha converter a escrita de acordo com as regras já em vigor e em processo de transição até 2015. 

Caros leitores não vou permitir que políticos baratos comprem a minha cultura, a minha génese e portugalidade; enfim algo que me identifica e orgulha. 

Esta prática recuso-me a adoptá-la; enfim é um atentado ao orgulho nacional, só por engano alguma vez utilize tais regras.


Aceitaria usar se fosse algo que contribui-se para uma harmonização lusófona, mas nem isso é....é apenas um idioma /capricho de politico barato; que veio gerar mais divisões....todavia ressalvo que esta é apenas a opinião e filosofia da Quinta da Fonte Coberta.
  

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Sementeira da Batata

Este fim de semana reiniciei uma prática que há muito a Quinta tinha  abandonado, a cultura da batata ''da seca'' foi retirada das actividades devido à quebra do seu preço nos mercados, porém, agora que a filosofia da Quinta é a luta contra a dependência alimentar então não estaria bem com a minha consciência se tivesse oportunidade de fazer uma sementeira de batatas e não o fizesse. Tal como na maioria das actividades da Quinta da Fonte Coberta os amigos tem sempre um peso fundamental nos trabalhos e esta tarefa não foi excepção a semente tive obrigatoriamente de a comprar (para o ano já não será assim, espero), todavia tudo o resto foi na procura da sustentabilidade, o estrume foi 100% orgânico, a mão-de-obra foi 100% de amigos, o tractor usado tanto na lavoura como na sementeira foi resultado da partilha de trabalhos e parte do terreno da sementeira foi efectuado nos intervalos da vinha de um agricultor ''inscrito'' na partilha de trabalhos, ou seja fizemos um trabalho cooperativo a cultura da batata estimula o desenvolvimento e produção das videiras. Assim todos ganhamos. 

Bloco de notas da quinta:
Qualidade da semente adquirida foi Monalisa da Holanda e Stemster de França.
Lamento não ter conseguido adquirir batata semente nacional, mas tenho esperança de conseguir encontrá-la para a sementeira de rega em Março. 

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Um dia especial na Quinta - A matança dos porcos.

ANTES
DEPOIS

Eis o auge de muito tempo de trabalho, é o dia da recompensa, ou seja é um dia de festa que começa bem cedo, (este 2012 anti-troika, anti-dependência alimentar  começa no seu melhor).

Por volta das oito da manhã juntam-se as pessoas, depois de um pequeno almoço bem pesado e com muita carne é costume beberem-se uns valentes cálices de vinho do porto. De seguida só três entram na pocilga e aí vem o primeiro porco para o banco de madeira. O sangrador (ainda na pocilga) enlaça o focinho do porco, assim que este consegue fixar o laço no focinho do porco a segunda pessoa pega logo no rabo do porco para servir de leme e por fim eu peguei nas orelhas afim de puxar o porco até ao banco e evitar que o laço saia.
Quando chegamos junto do banco de madeira estão então as outras duas pessoas, aí o sangrador segura bem o laço e cada um dos outro quatro pegam em cada perna do porco para o deitar no banco, enquanto isso o sangrador fixa o focinho do porco ao banco de madeira (que tem um buraco  para passar a corda que está atada no focinho do porco), nesta parte o animal tem de ser dominado com muita força, a parte mais exigente são as patas de trás. A pessoa que segura a pata traseira não apoiada é pessoa que tem a maior responsabilidade ( a seguir ao sangrador, claro) pois se soltar a pata o porco pode partir o braço à pessoa que segura a pata junto ao banco...desta vez essa responsabilidade coube-me uma vez que já sei o que é ficar na pata de baixo e a outra pessoa soltar.
Quando o animal está dominado o sangrador limpa o local onde vai espetar a sangradeira e a pessoa que apara o sangue aproxima-se com um alguidar e uma colher de pau, nesse alguidar já se deve encontrar o tempero do sangue que é azeite, sal e vinagre.. assim que o sangue começa a correr a 6ª pessoa apara o sangue e não pode parar de mexer sempre no mesmo sentido até o sangue arrefecer, para assim evitar o coagulo.
Depois de alguns esticanços e guinchos o animal perde a vida e então retira-se do banco de madeira para o tractor que o vai transportar até ao espaço da limpeza externa do porco. 
Em seguida repete-se todo o processo, pois os porcos são dois habitualmente porém o segundo é sempre muito mais difícil uma vez que já está enraivecido com os guinchos do seu companheiro de pocilga. Até aqui tudo correu bem a porta da pocilga resistiu por pouco ao segundo.

Depois da matança passámos ao local da chamusca do porco, antigamente usávamos carquejas a arder para chamuscar o pêlo, agora usamos um maçarico e raspadeiras de inox...assim é retirado todo e qualquer pêlo do porco...a parte mais delicada (e é só para alguns) reserva-se aos que têm as mãos mais calejadas, essa parte é a retirada das unhas que são chamuscadas até ficarem incandescentes e retiradas antes que arrefeçam.

Depois deste processo inicia-se a limpeza em detalhe com água e escovas de Leca, de seguida o detalhe aumenta e o porco passa por uma processo semelhante ao barbear humano até eliminar todo e qualquer pêlo.



Depois do processo de lavagem coloca-se o chamaril no tendão entre a rótula e a pata de trás, pois esse tendão suporta o peso do animal, então torna-se mais fácil manusear o porco, chega então o momento de retirar os órgãos genitais (seja macho ou fêmea) e ata-se a tripa, repete-se este processo no recto do porco separando a tripa da carcaça de carne atando-a claro. Prosseguindo com os trabalhos pega-se no porco e pendura-se para que se inicie o processo de desmancho da peça. Agora o trabalho é só para quem sabe e inicia-se a abertura da peça para se retirarem as tripas.


Retiram-se as tripas e duas peças iniciam o processo que se chama ''estremar'', ou seja separar as tripas, este processo é muito exigente, pois se rompemos a tripa, não só é desagradável como também é necessário atar antes e depois  do furo na tripa.
Ponto de partida para um fumeiro lento
daqui nascerão enchidos saborosos.

 Estremadas as tripas enquanto uns continuam o processo do desmancho da carne  outros vão lavar as tripas em água corrente. E de seguida são viradas do avesso (por quem sabe, pois é um processo muito difícil, principalmente as mais finas.

 Depois da tripa lavada e da carne desmanchada em peças grandes é hora do almoço.
O almoço normalmente é como se fosse uma boda, para desenjoar desta vez foram feijocas brancas grandes e uma enorme dobrada muito bem confeccionada pelo meu pai, com tudo o que uma boa dobrada tem direito para regar foi um vinho de enorme sucesso quase orgânico da Fonte Coberta, depois da dobrada chegam uns grelhados no carvão e umas sopas; a Sobremesa normalmente é constituída por vários doces regionais, nomeadamente a tigelada entre outros (excepto os do supermercado na matança não toleramos nada que provenha do capitalismo, não queremos ver na composição e18, ed25, e605...enfim nada dessas bostas... aquilo que aparece nos nossos rótulos é ovos da ti Maria da capela, chouriço do ti Manel, etc, etc.)   

Local da Quinta onde se executam
as lidas pós matança, a salga e o fumeiro.


Bloco de notas da quinta:
Para aqueles a quem este post ferir as susceptibilidades, pensem naquelas empresas de matadouros onde os animais por vezes chegam à máquina de corte ainda vivos, pois alguns resistem aos choques eléctricos que usam na matança. E são mortos massivamente para alimentar hipermercados, e por vezes as carnes percorrem continentes para entrarem em mercados o mais rentáveis possível, na Quinta o processo é sustentável a 95% não fossem os 250 metros que percorremos de tractor e o maçarico para a chamusca. 


















domingo, 29 de janeiro de 2012

O PINHAL DA QUINTA - SECTOR Nº2



O sector nº2 da Quinta é constituído na totalidade por 2 parcelas povoadas por pinhal e o objectivo fundamental é a produção de madeira, todavia no último ano iniciei algumas colheitas de pinhão e tenho algum interesse em iniciar alguma colheita de resina apenas para enriquecer o intelecto; mas aquilo que para a Quinta representa mais valia comercial é sem dúvida a madeira.

O pinhal gera também riqueza indirecta, é nele debaixo do seu tecto que nascem bons cogumelos, é também abrigo de várias espécies de caça, é também nele que podemos encontrar o espargo bravo procurado pelos melhores chefs para a execução de cozinhados divinais... ainda a semana passada me deliciei com uma omelete de pontas de espargo bravo.

OS PINHAIS DA QUINTA

O PINHAL DA ADMENDÔA


O PINHAL DO LONGO SOBRADO

O PINHAL DE SÃO DOMINGOS DESTRUÍDO EM 2005 -
EM FASE DE PROJECTO PLANTAÇÃO DE PINHEIRO MANSO






Bloco de notas da quinta:
A profissão de resineiro encontra-se praticamente extinta em Portugal devido ao custo da mão de obra. Todavia Portugal endivida-se para importar resina de outros países.










sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A NOVA HABITANTE DA QUINTA

É uma habitante temporária, pois já a ofereci; brevemente estará pronta para ser acolhida pela família adoptiva...se sair à mãe vai ser uma óptima caçadora e vai dar muitas alegrias ao seu dono.

Quando ofereço um animal o que mais lhe desejo é que a família adoptiva o trate tão bem como são tratados na Quinta da Fonte Coberta. A cadela de caça (Nina) é uma cadela abandonada que foi acolhida pela Quinta da Fonte Coberta, quando chegou se levantasse-mos um braço ela fugia e metia-se em buracos. Hoje muita coisa mudou e o seu pêlo brilhante fala por si... é uma óptima caçadora, é um guarda poderoso (já evitou um assalto) e já afastou uma cobra perigosa (e grande) do seu companheiro Scooby. 

Também já fez das suas mas é o seu instinto de caçadora a funcionar de vez em quando (basta um descuido)  e lá se vão umas galinhas.





terça-feira, 17 de janeiro de 2012

OS OBJECTIVOS DE 2012

Como já referi anteriormente este blog serve de orientação para a actividade agro-pecuária da Quinta da Fonte Coberta, e pretende ser uma optimização (passo a passo) do modelo (estratégia) que inicialmente criei.

O plano mensal de trabalhos que vinha publicando parece-me neste momento um pouco vago (resultado da evolução dos trabalhos), por isso em 2012 será utilizado um calendário de actividades mais elaborado e com uma maior sistematização da informação. À medida que for traçando objectivos por sector, farei uma publicação, no entanto sempre que surgirem novas actividades ou informações o calendário será actualizado, em resumo aquilo que aparecerá neste momento patente no mapa/calendário serão os objectivos básicos ambicionados para este ano.







sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O ANO DE TODOS OS DESAFIOS - 2012 NA QUINTA

Ao sabor da política especulativa, da politica que é unha com carne com os grandes grupos económico financeiros, da politica de corrupção instalada e de impunidade milionária cá vão os portugueses assistindo a este desgoverno preocupados  com o que estão a fazer a este cantinho magnifico do mundo. Às vezes quase apetece-me escrever aquilo que realmente penso acerca do que se está a passar neste Portugal de elites, mas sei o quanto isso me poderia sair caro...por isso fico-me pelas reflexões de meias palavras..a alimentar esta paz armada...esta bomba relógio que os políticos decidiram accionar. 

Apesar da austeridade, na Quinta não é aplicada a cartilha da troika a não ser o brutal aumento de impostos que vamos sofrer que impedirá algumas melhorias no imobilizado, mas no que respeita à produção esta não será afectada, aliás estou a prever um aumento produtivo em alguns produtos, isto dever-se-à ao facto da área em gestão ter aumentado.

''Os que resistirem a este 2012 jamais perecerão'', esta ficou-me na retina, numa daquelas conversas campesinas que travei com um amigo do campo. 

Mais trabalho e optimização serão a chave para uma exploração agrícola abundante sem crises, onde a banca do ''hipermercado natural'' estarão sempre à nossa disposição seja para ir buscar a simples couve ou o elaborado espargo.

Em alguns países precisamos apenas trabalhar para vencer as adversidades, aqui não, para além do trabalho temos ainda uma classe super parasitaria para alimentar e só depois nós. Enfim com troika ou sem troika o ocaso aconteceu e avizinha-se uma manhã de sol fantástica para desfrutar com mais um dia de trabalho que começará pelas 6 da madrugada, manhã que tratará para o celeiro e para o estaleiro muitos produtos sem tributações directas, apenas um tributo tenho certo e esse será sem dúvida uma dor de costas e de pernas resultante de um intenso dia de trabalho.  


quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

ACTIVIDADES 2012 - LENHAS E APARAS

Todos os anos são retiradas árvores velhas, secas e invasoras da Quinta, assim como eucaliptos em fase de corte. E como o capital é fundamental para a continuidade da Quinta, no Verão vendo as lenhas resultantes destas actividades (todos os anos). 

Como os terrenos são muito íngremes é necessário um tractor para a guinchar a madeira, uma vez em sitio acessível a madeira é cortada em rolos e rachada num machado hidráulico que tenho no tractor mais pequeno e normalmente é transportada logo de seguida para o cliente ou para o estaleiro de lenha da Quinta.

Em 2012 as lenhas que vou ter em stock serão em várias medidas (para fogão ou lareira).

As entregas como sempre são gratuitas (região centro).

Stock de lenhas em actualização:

FAIA
PINHO VERDE
PINHO SECO
EUCALIPTO VERDE
APARAS 
AMIEIROS

O MACHADO DA QUINTA



O TRACTOR COM GUINCHO DA QUINTA 
   
Ferramenta de sonho, que adquiria se saísse o Euromilhões. 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Plano Mensal de Trabalhos Dezembro -a concluir até 15-01

Os trabalhos de 2011 ainda não estão terminados, só ao longo desta primeira quinzena será possível ultimar algumas actividades projectadas para Dezembro. 
Este modelo de orientação (plano mensal) será descontinuado em 2012, afim de facilitar o trabalho, conforme já publiquei ontem para os Soutos de Castanheiros, em 2012 será efectuado um plano mais pormenorizado e com mais informação, enfim, se isto fosse um jogo vamos considerar a subida de um nível.


Continua a ser desenvolvido um software para a gestão da Quinta



domingo, 1 de janeiro de 2012

CALENDÁRIOS DE ACTIVIDADES 2012 - SOUTOS


Os trabalhos de 2011 ainda não estão terminados, só ao longo desta primeira quinzena será possível ultimar algumas actividades projectadas para Dezembro. No entanto é tempo de delinear as estratégias de 2012, este ano pretendo pormenorizar algumas tarefas no sentido de realizar um trabalho mais cuidadoso e tecnicista.




Os Soutos da Quinta:


Souto do Lagar (óptimo calibre e qualidade)
Souto das Baleiras (o que dá mais quantidade)
Souto da Cardiga (qualidade selecção)
Souto da Assentada (péssima colheita 2011 devido à seca extrema)
Souto do Nascente 
(inacessível em 2011) 
Souto do Vale Coelho (inacessível em 2011)





O GRANDE SOUTO DAS BALEIRAS E O SOUTO GOURMET DA CARDIGA.


Bloco de notas da quinta:
O que é um Vardo?
Na região centro interior chamam vardo à técnica de juntar a grama (vegetação resultante da monda) em montes ao fundo dos Castanheiros (nos terrenos íngremes), com o objectivo de segurar os ouriços quando o vento os manda ao chão. Deste modo, fica facilitada a apanha da castanha.



Práticas sustentáveis  vs Técnicas agrícolas.

Insecticidas naturais.
Na Quinta da Fonte Coberta a partir de hoje todos os insecticidas presentes na farmácia agrícola foram selados e não serão mais utilizados em hortas para consumo alimentar. Os insecticidas utilizados na produção a partir de hoje  também são extraídos da própria natureza.





Mensagem de agradecimentos aos leitores na Russia:
Сообщение благодаря читателям в России:
Дорогой читатель благодарности России за посещение этого блога о земледелия и животноводства хотели бы оставить свой вклад будет привилегией для источникапокрыта четверг.





segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Balanço de 2011


A Agricultura, na quase totalidade dos países da União Europeia (à excepção de Portugal), encontra-se num dos seus momentos altos, sendo considerada um Sector em que vale a pena investir. O factor determinante desta mudança foi o aumento significativo, nos mercados mundiais, dos preços de produtos de primeira necessidade (a começar nos cereais) em consequência do enorme crescimento do consumo, da diminuição da produção (por razões climáticas) em alguns dos principais produtores mundiais, da redução de stocks a níveis alarmantes, da adopção de políticas agrícolas em que se subsidiava a não produção e do encaminhamento de uma parte dos produtos agrícolas para a indústria de biocombustíveis. Assim sendo, cada cêntimo gasto em prol automatismos e máquinas facilmente é espectável o seu retorno financeiro; no entanto em Portugal não podemos colocar as coisas nestes termos, pois a ausência de políticas agrícolas tem levado ao desaparecimento de explorações agrícolas mistas direccionadas para o mercado interno. Em Portugal resistem sobretudo explorações de auto subsistência em pequena escala e grandes explorações direccionadas para o mercado nórdico gourmet, existe também nos últimos anos uma forte aposta no método hidropônico sobretudo no que respeita a explorações de produção de alfaces, essas sim orientadas sobretudo para a presença (e bem) nas grandes superfícies do mercado interno..no entanto onde pretendo chegar é que a Quinta da Fonte Coberta é uma exploração agrícola mista de pequena dimensão com vários investimentos privados ao nível de alfaias e propriedades, qualquer cêntimo gasto a optimizar e a desenvolver o seu imobilizado será uma mais valia mesmo que todos os produtos sejam para consumo familiar e partilhas, pois isso representará um grande passo em busca da independência alimentar e não a continuação do gigantesco passo que os povos estão a dar rumo há dependência de alimentos subjugados aos mercados e seus intervenientes especulativos... perdoem-me estas afirmação mas cada vez é mais real este meu pensamento malthusiano, já agora é importante referir que apesar da ideologia afecta ao blog, o blog não se identifica nem é conivente com nenhum movimento político, muito pelo contrário. 

Há muitos anos que dedico tempo à agricultura e pecuária, aliás, o gosto por essas actividades já vem de várias gerações atrás, no entanto nunca (como agora) tinha colocado este gosto a meu favor e nos últimos anos até me afastei (por falta de tempo) destas actividades. À cerca de um ano decidi então dar (re) vigor a esta ideia,pois senti que era um desperdício enorme manter tudo ao abandono, então arregacei as mangas e dei um pontapé na comodidade e monotonia, iniciei em Janeiro a transformação dos sectores da Quinta e só em Julho decidi publicar este blog. Embora muito básico e ainda a dar os primeiros passos sei que o blog é útil a muita gente e é também muito útil para a exploração agro-pecuária ''Quinta da Fonte Coberta''.

Quando o iniciei estava sobretudo preocupado com o Souto de Castanheiros completamente abandonado e a gerar castanhas para javalis, ratos, cobras, coelhos, veados, etc, etc. E estava também preocupado com o tamanho das espécies invasores (nomeadamente a giesta) que estavam a destruir tudo e ainda a representar uma ameaça para as populações, devido aos incêndios.

No sentido de aliviar a dependência alimentar decidi então partir para o cultivo de alguns hortícolas nomeadamente do tomateiro, da alface e da cebola entre outros. Por muito pouco não atingi a sustentabilidade na alface, fico feliz no entanto, pois o factor determinante para não atingir os 100% sustentabilidade foi a partilha, ou seja, a doação de alfaces a amigos.

Em termos de receitas os sectores que geraram maior  rentabilidade foi o sector do pinhal e o aviário, pois apresentam transaccionáveis de maior valor, porém os sectores que mais evoluíram foram sobretudo as hortas e o pomar.


2012 será um ano com o maior trabalho de capinagem que alguma vez se realizou  em todos os sectores da Quinta, até porque é meu objectivo alcançar 50% de acessibilidade e gestão em todos os sectores. Aquele que representa maior resistência é sobretudo toda a área de castanheiros, na verdade é área só acessível a mão de obra braçal devido à inclinação do terreno.

No pomar, no olival, no pinhal, no souto a palavra de ordem será capinar. 


Vale a pena lembrar: 

in Observatório das desigualdades:

925 milhões de pessoas passam fome no mundoOs países em desenvolvimento concentram 98% das pessoas subnutridas. Em cada seis segundos, morre uma criança no planeta devido a problemas relacionados com a subnutrição. Existem 19 milhões de subnutridos nos países desenvolvidos. 

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) estima que entre 2009 e 2010 o número de pessoas subnutridas a nível mundial diminuiu de 1.023 mil milhões para 925 milhões – a primeira descida num período de quinze anos. De acordo com a organização, este facto deveu-se à melhoria das condições económicas nos países em desenvolvimento e à diminuição dos preços dos alimentos face a 2008.
A Ásia e o Pacífico é a zona com um maior número de pessoas subnutridas, embora a África Sub-sahariana seja a mais afectada por este flagelo em termos relativos: 30% da sua população. Neste relatório preliminar, é referido que 2/3 da população mundial subnutrida concentra-se em sete países (Bangladesh, China, República Democrática do Congo, Etiópia, Índia, Indonésia e Paquistão), sendo que a China e a Índia agregam em conjunto 40% do número de pessoas que a nível mundial se encontram nesta situação.
Apesar da diminuição estimada de 98 milhões de pessoas subnutridas entre 2009 e 2010, 16% da população dos países em desenvolvimento era, neste último ano, afectado pelo problema da subnutrição. Este resultado indica que muito dificilmente se poderá cumprir a primeira das metas definidas nos Objectivos do Milénio: a diminuição para metade (de 20% para 10%) da população mundial subnutrida, entre 2000 e 2015.

Declarações de Jacques Diouf, director-geral da FAO, a propósito dos dados publicados neste relatório:
(…) Com quase mil milhões de pessoas subnutridas, a fome é e continua a ser inaceitável. O facto de uma criança morrer em cada seis segundos devido a problemas relacionados com a subnutrição é a maior tragédia e escândalo mundial.
(…) Para além de melhorar as redes de segurança e os programas de protecção social para assim se ajudar os mais vulneráveis e necessitados, a solução de longo prazo para a segurança no aprovisionamento de alimentos passa pelo investimento na agricultura nos países em desenvolvimento, para que eles possam produzir os alimentos necessários a uma população mundial estimada em 2050 superior a nove mil milhões de pessoas. Neste sentido, políticas estáveis e efectivas, mecanismos regulatórios e institucionais e infra-estruturas de mercado funcionais que promovam o investimento no sector agrícola são fundamentais” (tradução própria).


Fotografia de Munir Uz Zaman, publicada no site da FAO.